Octavio Cariello

é, né?

July 31st, 2008

pois é. ontem, dia 30, octavio cariello, meu pai, faleceu em recife, aos 75 anos de idade, devido a complicações múltiplas conseqüentes de uma diabete herdada da mãe…

não somos para sempre: em termos humanos, as décadas se amontoam com rapidez, porém insistem em não completar um século; cada um de nós enfrentará a partida e terá, se acreditar, sua oportunidade de lidar com a vida além. e isso está mais próximo do que nos permitimos crer.

o velho cariello se foi e eu espero que sua jornada seja tranqüila.

piadas de dar medo

July 28th, 2008

vi o batman cavaleiro das trevas e recomendo. é lamentável que não vejamos o coringa do heath ledger outra vez - ele está perfeito e assustador. o elenco é impecável (morgan freeman, michael caine, maggie gyllenhaal, aaron eckhart e christian bale) mas o brilho fica por conta de sua atuação no papel do doido maquiado. uma overdose acidental levou o australiano aos 28 anos de idade.
há quem critique a obra por ser muito séria, muito longa. alguns nostálgicos fazem comparações com os dois primeiros filmes dirigidos por tim burton; adoro os filmes do tim burton, mas há algo de alegórico e satírico que remete à série televisiva dos anos 1960. era divertido, mas o batman desde batman begins tem uma cara bem mais próxima do que eu imaginava. adoro as atuações do jack nicholson (coringa), do danny de vitto (pinguim) e da michelle pfeiffer (mulher-gato), mas fico feliz com as novas caras.
não tenho qualquer saudade do charada e do duas caras, do senhor frio e do bane, ou mesmmo do robin das seqüências.
lembro de algumas falas do coringa do ledger e ainda me arrepio. impagável.
quer se aprecie (ou prefira) os filmes anteriores, quer não, o cavaleiro das trevas taí, nos cinemas, e é obrigatório pra quem gosta do batman. um roteiro muito bem urdido, servindo de base à atuação de todos, efeitos muito bacanas e um coringa pra deixar qualquer um de cabelo em pé garantem diversão por pouco mais de duas horas. parabéns ao christopher nolan.
tá esperando o quê?

pizza e poesia, a gula

July 25th, 2008

ontem fui convidado por um casal amigo a jantar na mansão da pizza. o restaurante é um rodízio animado, dividido entre a pizzaria e uma churrascaria (no andar de baixo), no número mil da ricardo jafet, aqui em são paulo. é um pecado com preços módicos e uma vista pra lá de bonita.

o problema no andar de cima é que os moços e as moças (geralmente muito simpáticos) não param de oferecer pedaços de pizzas salgadas e doces, irresistíveis. comi como um esfaimado desesperado; perdi as contas no décimo pedaço… chupei o pau da barraca! a pizza de maçã com chocolate branco é imperdível.
além da boa comida, o papo com os amigos foi mais que agradável. voltei pra casa mais que feliz, além de alguns quilos mais pesado.

quase inda agora, dei uma passadinha no blog de minha amiga katiane prazim. além de você poder clicar no nome dela, há um link aí à direita. vale a pena gastar alguns minutos passeando pelas belas imagens e poesias compiladas por kati (beijim procê!).

ó, pedaço

July 15th, 2008

não é de mim, assim diretamente. é de uma página de uma história em quadrinhos. eu escrevi, eu desenhei, eu colori, eu letrerei. tem um bocado de mim na hq, mas não sou eu. ou serei?

sei lá. mil coisas. há muito que férias não significam estar de bobeira, pra mim. há sempre algo a fazer. acho que o ócio provoca culpa, talvez… hehe…

resolvi arrolar o que ando fazendo agora; me deparei com as aulas do curso de perspectiva, os textos da pesquisa pro projeto da tríade, as alterações no texto que estava “finalizado” do tueris, as anotações de mais dois romances em estágio embrionário, algumas dezenas de livros se acumulando na lista de não-lidos e uns tantos na pilha dos sendo lidos (vez em quando elejo um e vou até o fim - recentemente foi o “rama ii” do clarke e do lee - divertidíssimo), a versão pra inglês de um romance especial pra mim… ufa. melhor parar por aqui. e eu estou em férias?

na minha terra natal uns chamariam isso de cotoco, outros de hiperatividade, mais uns de busca do tempo perdido. tem gente que deve achar que eu sou doido, mesmo. talvez me sinta culpado em não fazer nada. e olha que eu adoro dormir!

eu acho que eu queria estar em férias pra sempre! hehe…

mas aí vai: não um pedaço de mim, mas de uma hq, eon, que eu não tenho a minima idéia de quando sai, mas que é muito divertida de fazer, assim, bienalmente…

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férias e pastel

June 29th, 2008

ando meio ausente; quaisquer reclamações deverão ser encaminhadas ao departamento do tempo (a/c do senhor cronos), por favor.

ah! eis as férias chegando, mais uma vez; enquanto a maioria dos estudantes tradicionais vai fazer algo novo ou inusitado, ou mesmo repetir experiências gratificantes, eu vou manter basicamente o mesmo cronograma subtraído das aulas da usp.

já que fazia tempo que não postava nenhuma imagem, aí vai um recorte de um trabalho desenvolvido em sala de aula de pintura e ilustração. usei pastel seco sobre papel craft (valeu, ísis!).

enquanto as férias não se instalam oficialmente, termino uns trabalhinhos aqui e acolá. o tempo? está frio.

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réquiem

June 6th, 2008

é espantosa a fragilidade da matéria que compõe a concórdia entre as gentes; se ameaçados por entreveros antecedentes, amores e amizades esfarinham-se por qualquer falta de cuidado, um olhar torto, uma palavra enviesada.
não há comemorações a fazer quando a morte chega; todos sabem o quanto dói o falecimento de um ente querido. o sepultamento de um amor ou de uma amizade não é menos doloroso, mesmo quando em declínio, definhando sob a sombra inclemente do desrespeito mútuo.
e nada acontece da noite para o dia: a discórdia se constrói como a concórdia, pouco a pouco, as marcas da passagem do tempo a servir de contrapeso de um lado a outro, como o balanço do equilibrista que se desloca a um destino incerto.
ter amores e amizades é estar eternamente sobre a corda bamba. ter amores e amizades é não contar com rede de proteção entre a corda e o chão duro da realidade.
deposito uma pedra sobre o cadáver de uma amizade longeva. é provável que, talvez inutilmente, gaste um bom tempo na tentativa de entender a éris que causou sua morte. sempre lamentarei a fragilidade da matéria que compõe a concórdia entre as gentes.

obstinado

May 13th, 2008

Roubei-te um beijo.
Deus, que ato descabido!
Senti-me vil, um criminoso,
torpe bandido.

Por que maldizes tanto
E eriças todo pêlo,
Quando insisto, arrependido,
Em devolvê-lo?

preto e branco

May 5th, 2008

tekkon kinkuriito é um abuso de bom! homem de ferro é muito divertido. macunaíma tinha que ser lido por todo brasileiro. o melhor bolo de chocolate é realmente bom pra caralho! tá fazendo frio.

a taste of blood · 2001

April 16th, 2008

My aching feet (Dreams broken)
Damned and perfect memories of being cast away
Looking back to sidewalks and painted corner walls, asleep, asleep, asleep
Empty dirty tables: a bar in an empty dirty street

In the present half, half in the past
How long might eternity last?

My tired feet (Dreams lost)
A poet without poems and perfect poetry sculpted in clay
Long gone sighs and screams like bronze knife stabs cut deep, fast asleep
Untidy third class hotel rooms and dirty girls to meet

How long will I remember all that filthy stuff in vain?
How many potions have I drunk to stop this dreary thirst?
How many bodies borrowed to restrain the burning pain?
Might I ever turn from lousy last to glorious first?

My wounded feet (Dreams unfolded)
Desires of fire on ragged dolls seems like the price to pay
An oracle retells details of well-known tales while I am asleep
The days to come must fit to noisy silence, cries discreet

Truth is too slow – lies are too fast
How long might eternity last?

maldita hiperemia · 1985

April 15th, 2008

Essa palavra afogada, esse desejo contido.
A mão estendida num gesto silenciado.
Nos olhos, o brilho, queimando - sempre os olhos.

A garganta e a boca secas.
Os pés formigando. O estômago revoltado.
O coração apertado e os olhos queimando.

A respiração profunda, Um bafo quente, a saliva grossa.
A língua deslizando pelos dentes, prisioneira.
E os olhos - sempre os olhos - queimando, delatores.